Conheça a história da Polyvox, marca brasileira criada em 1967 por Moris Arditti. De ícone dos anos 70 e 80 ao renascimento digital, entenda como a Polyvox marcou gerações e segue inovando no som
A origem da Polyvox: o som como paixão
Quando Moris Arditti fundou a Polyvox em 1967, o Brasil ainda dava seus primeiros passos no universo do áudio moderno. Movido por uma paixão genuína por som, ele e seu sócio Mario Putti começaram a fabricar caixas acústicas nacionais com qualidade comparável aos equipamentos importados — algo raro na época.
O objetivo inicial era claro: fabricar caixas acústicas nacionais que apresentassem qualidade comparável aos equipamentos importados, algo que era raro na época. Enquanto outras empresas optavam por importar aparelhos, a Polyvox concentrava seus esforços no desenvolvimento local e na precisão artesanal. Para seus fundadores, o som não era visto apenas como um produto, mas sim como arte.
A Era de Ouro do Som Brasileiro e a Inovação
A década de 1970 marcou a ascensão da Polyvox. Foi nesse período que a marca lançou a Linha 5000, um dos maiores sucessos do áudio nacional. O destaque era o amplificador PM 5000, conhecido por suas entradas e saídas independentes, que oferecia uma performance que rivalizava com produtos importados, mas com a vantagem de ser acessível ao consumidor brasileiro.
A inovação tecnológica era uma prioridade. A fábrica da Polyvox em Osasco (SP) contava com uma estrutura de ponta, incluindo um laboratório de áudio e, notavelmente, uma câmara anecóica. Essa câmara, utilizada para calibrar o som em isolamento total, era algo praticamente inédito no país.
A marca também expandiu seu portfólio por meio de parcerias internacionais estratégicas, como com a Dual (Alemanha) e a Alpine (Japão). Isso permitiu à Polyvox ampliar seu repertório com itens como toca-discos, gravadores de fita e os famosos sistemas 3 em 1, que se integraram ao cotidiano dos amantes de música.
A Curiosa Fase: Atari Polyvox
Algo que surpreende muitos é que a Polyvox não se limitou apenas ao áudio. A marca também deixou sua marca no universo dos jogos.
Em parceria com a Gradiente, a Polyvox foi responsável por lançar o primeiro videogame nacional, o Atari Polyvox. Este console foi produzido em Manaus e alcançou a impressionante marca de mais de meio milhão de unidades vendidas.
Essa incursão no entretenimento solidificou a Polyvox como sinônimo de inovação, posicionando-a como mais do que uma fabricante de som, mas sim uma ponte entre tecnologia e cultura pop.
O Silêncio e o Retorno Triunfal
Com a crise que assolou o setor de eletrônicos nos anos 2000, a Polyvox acabou saindo de linha. No entanto, o fundador, Moris Arditti, manteve a chama acesa e conseguiu recomprar os direitos da marca.
Ao lado de Toledo e Luiz Kencis, iniciou uma nova fase, unindo a tradição da marca à modernidade. Em 2017, a Polyvox retornou oficialmente ao mercado, apresentando um design renovado. A nova geração, representada por Giovanna e Lucas Kencis, netos de Toledo, assumiu a vanguarda.
Polyvox Hoje: Som, Tecnologia e Brasilidade
A nova Polyvox mantém a essência de seu legado — o amor pelo som — mas agora fala a linguagem da era digital. Atualmente, a marca opera com uma fábrica própria em Manaus e garante uma produção 100% nacional.
Com uma linha diversificada que inclui caixas amplificadas, torres e boomboxes, a Polyvox reconquistou seu espaço entre as maiores marcas do país.
Entre as inovações mais recentes, destaca-se o aplicativo Polyvox Audio Control, que permite aos usuários ajustar a equalização e o modo de som diretamente pelo celular. Olhando para o futuro, a marca já planeja incorporar o uso de inteligência artificial (IA) para personalizar ainda mais a experiência musical de cada usuário.
Um Legado que Continua Vibrando
Mais de cinco décadas após sua fundação, a Polyvox continua inspirando gerações através da sua mistura de tecnologia, design e emoção. É uma marca que evoluiu junto com a música brasileira, acompanhando desde os bailes de garagem até os festivais modernos, e que segue conectando pessoas por meio do som.
Porque, afinal, a vida vibra, e a gente faz o som.
